Na última quinta-feira (25), a Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes foi palco de uma audiência pública que discutiu a longa espera enfrentada por pacientes com câncer para receber o primeiro atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, liderada pelo vereador Anderson de Matos (Republicanos), reuniu pacientes, familiares, profissionais de saúde e autoridades locais para analisar a situação das filas de regulação e o impacto da demora nos tratamentos oncológicos na região.
Durante o encontro, Anderson de Matos destacou uma recente diminuição no número de pacientes aguardando consultas e procedimentos especializados, como mastologia, oncologia clínica e cirurgia geral. Segundo o parlamentar, a fila da mastologia, que anteriormente somava 29 pessoas, foi completamente zerada nos dois dias anteriores à audiência, enquanto outras demandas também apresentaram redução significativa. Apesar desses avanços pontuais, o vereador ressaltou que o problema continua grave e longe de ser solucionado.
Um dos pontos mais contundentes levantados por Anderson foi a responsabilização do Estado do Rio de Janeiro pela morosidade na regulação do atendimento oncológico. Ele lamentou as 17 mortes de pacientes que faleceram enquanto aguardavam a autorização para atendimento especializado, afirmando que a demora na gestão estadual foi determinante para o desfecho fatal dessas pessoas, e não apenas a doença em si. Além disso, o vereador criticou duramente a ausência de representantes da Secretaria Estadual de Saúde na audiência, sobretudo porque membros da pasta estiveram na cidade no dia anterior para tratar da judicialização em saúde, mas não permaneceram para o debate público.
A situação relatada em Campos é reflexo de um problema estrutural enfrentado por diversas regiões do país, onde a demanda por tratamentos oncológicos cresce, mas o sistema público não consegue acompanhar em velocidade e eficiência. A lentidão no acesso ao diagnóstico e início do tratamento pode piorar o prognóstico dos pacientes, elevando a mortalidade e o sofrimento. No caso do Norte Fluminense, a dificuldade de acesso ao atendimento profundo acarreta pressão sobre unidades locais de alta complexidade e evidencia a necessidade de políticas públicas mais contundentes para garantir agilidade e qualidade no serviço. A falta de posicionamento oficial da Secretaria Estadual de Saúde até o momento aprofunda a apreensão da população e amplia o debate sobre a gestão da saúde no estado.
Redação EBN – Portal de Notícias






