A Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, registrou em 2024 taxas de homicídios que superam a média nacional, segundo dados divulgados no Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Entre os municípios mais afetados estão Cabo Frio, Araruama e São Pedro da Aldeia, que apresentaram índices preocupantes, mesmo diante da queda da taxa estadual.
Enquanto a média nacional de homicídios foi estimada em 23,4 por 100 mil habitantes, o estado do Rio de Janeiro registrou 20,4 por 100 mil habitantes em 2024. No entanto, o panorama na Região dos Lagos se revela mais alarmante. Cabo Frio lidera o ranking local, com taxa de 36,1 homicídios por 100 mil habitantes, ultrapassando em 12,7 pontos a média brasileira. O município teve oficialmente 84 casos de homicídio, além de uma estimativa de dois casos ocultos, totalizando 86 mortes violentas.
Araruama também demonstra índices significativos, com 33,4 homicídios por 100 mil habitantes, considerando 43 homicídios confirmados e três casos ocultos. São Pedro da Aldeia, apesar de estar um pouco abaixo dos outros dois, apresenta taxa de 29,8 homicídios, com 33 casos oficiais e sem estimativa de ocultos. Essas cifras colocam essas cidades entre as mais violentas do estado, em um cenário que contrasta com a redução da violência em outras regiões do Rio de Janeiro.
Os especialistas apontam que a maior presença do crime organizado em municípios de porte médio e turísticos como os da Região dos Lagos contribui para a alta dos índices. O avanço das facções para além dos grandes centros urbanos provoca uma ampliação da violência letal, deslocando o foco para essas cidades, que muitas vezes não possuem estrutura adequada para enfrentar esse tipo de desafio. A situação impacta diretamente a segurança da população local, afeta o turismo e exige respostas integradas das autoridades estaduais e municipais para enfrentar essa nova dinâmica criminosa.
Em nota, São Pedro da Aldeia ressaltou avanços em indicadores sociais e de segurança, destacando a melhor colocação da Região dos Lagos no Índice de Progresso Social (IPS). O município destacou esforços em políticas públicas focadas na qualidade de vida, no fortalecimento da gestão e na integração entre órgãos de segurança, além de investimentos recentes em videomonitoramento e na estrutura da Guarda Civil Municipal, visando melhorar o monitoramento e a prevenção da violência.
Apesar das ações em algumas cidades, o Atlas reforça que grande parte da violência letal no Rio de Janeiro ainda está concentrada na Baixada Fluminense e em municípios tradicionalmente afetados por crimes armados, como São João de Meriti e Belford Roxo, cujas taxas superam também as marcas da Região dos Lagos. O crescimento da violência em municípios do interior alerta para a necessidade de ampliar as estratégias de combate e prevenção, que envolvam não apenas o reforço policial, mas políticas sociais voltadas à inserção e proteção das comunidades locais.
O avanço da violência em cidades médias e turísticas da Região dos Lagos reflete uma tendência nacional de interiorização do crime organizado. A partir desse cenário, torna-se fundamental a atuação coordenada dos governos federal, estadual e municipal para frear o avanço da criminalidade, garantir a segurança dos cidadãos e preservar a economia local, especialmente em regiões que dependem do turismo, como Cabo Frio, Araruama e São Pedro da Aldeia.
Redação EBN – Portal de Notícias
