Recentemente, o lançamento do filme “Mestres do Universo” reacendeu debates sobre a figura de He-Man, o icônico personagem que marcou os anos 1980. Apesar do alto investimento na produção, a bilheteria global não correspondeu às expectativas, e a recepção do público foi marcada por críticas ao visual e à caracterização do protagonista, interpretado por Nicholas Galitzine. Entre as discussões levantadas, destaca-se a associação histórica de He-Man ao público LGBTQIA+, uma ligação que vai muito além das aparências e que ajuda a entender parte do envolvimento emocional de diferentes gerações com o personagem.
He-Man, que estreou originalmente como uma série animada entre 1983 e 1987, encantou meninos e meninas com sua combinação de fantasia, ação e cores vibrantes. Porém, um aspecto que chama atenção é como a figura do Príncipe Adam, alter ego do herói, com sua dualidade entre a timidez e a força invencível, dialogou especialmente com crianças que, na época, não se encaixavam ou não se sentiam representadas pelos estereótipos convencionais de masculinidade. Isso aconteceu em um contexto social marcado por uma forte repressão à diversidade sexual e de gênero, tornando a interpretação e identificação com He-Man um fenômeno cultural significativo.
Especialistas e pessoas ligadas à produção original ressaltam que a equipe nunca ocultou a abertura para questões relacionadas à comunidade LGBTQIA+. Erika Scheimer, filha do produtor executivo Lou Scheimer e dubladora original da série, revelou que nos bastidores do desenho a ideia de que o Príncipe Adam tinha características associadas à homossexualidade era tratada com humor e naturalidade. Essa perspectiva ajudou a construir uma linguagem simbólica, na qual o herói que se transforma para assumir seu verdadeiro poder representa uma metáfora poderosa para a autoaceitação e afirmação de identidade.
No Brasil, a influência dessa narrativa reverbera até hoje, especialmente entre fãs que cresceram com o desenho importado e reconhecem nele um exemplo de coragem e autenticidade em tempos em que a diversidade era quase invisível na mídia. A recente controvérsia sobre a representação de He-Man no filme, e a rejeição de alguns fãs à proposta mais moderna do personagem, mostram como o imaginário em torno dele está profundamente associado a sentimentos de pertencimento e resistência. Para a comunidade LGBTQIA+, He-Man é mais do que um combatente do mal: é um símbolo de transformação e orgulho, cuja história continua ressoando em diferentes gerações.
Redação EBN – Portal de Notícias



