O anúncio do encerramento do atendimento de caixa presencial na agência do Banco do Brasil localizada na Avenida Pelinca, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, motivou um protesto realizado pelo Sindicato dos Bancários nesta segunda-feira (27). A mobilização ocorreu em frente à unidade e reuniu representantes da categoria, clientes e moradores que demonstraram preocupação com os impactos da medida, especialmente para públicos mais vulneráveis.

A manifestação foi organizada após a divulgação de comunicado da instituição financeira informando que os serviços de caixa presencial serão desativados a partir do dia 6 de maio. A decisão faz parte de um processo de reestruturação interna, que prevê a centralização de atendimentos e maior uso de canais digitais, tendência já observada em diversas instituições bancárias no país.

Durante o ato, lideranças sindicais criticaram a mudança e alertaram para as dificuldades que podem ser enfrentadas por clientes que dependem do atendimento presencial. Entre os principais pontos levantados estão o acesso limitado à tecnologia por parte de idosos e pessoas com menor familiaridade com plataformas digitais, além da importância do serviço para comerciantes que utilizam operações de caixa no dia a dia.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o delegado sindical e funcionário do Banco do Brasil, Rodolfo Miranda, destacou o impacto da decisão para a população local. Segundo ele, a agência desempenha papel relevante em uma área com forte atividade comercial e não deveria reduzir serviços essenciais. “Essa agência é muito importante para essa parte da cidade, que tem um comércio varejista bem alavancado. O banco não pode deixar de cumprir a sua função social e simplesmente encerrar um canal de atendimento tão importante para o idoso e para o comerciante”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Bancários, Rafanele Pereira, também reforçou a necessidade de mobilização para tentar reverter a decisão. Ele destacou que instituições financeiras públicas, como o Banco do Brasil, têm compromisso com a prestação de serviços acessíveis à população. “Uma instituição como o Banco do Brasil tem que prestar serviço à população. É importante que os clientes busquem seus direitos”, declarou durante o protesto.

A entidade sindical ainda citou a Resolução nº 4.949/2021, do Conselho Monetário Nacional, que estabelece diretrizes para o atendimento ao público nas instituições financeiras. Segundo a norma, os bancos não podem recusar atendimento presencial, obrigar o uso exclusivo de canais digitais ou dificultar o acesso aos serviços de caixa, o que, na avaliação do sindicato, levanta questionamentos sobre a legalidade da medida adotada.

Procurado, o Banco do Brasil informou que a agência de número 3028, localizada na Pelinca, continuará em funcionamento, mas passará por um processo de centralização dos serviços de caixa, com a desativação do atendimento presencial tradicional. De acordo com a instituição, o atendimento negocial será mantido, assim como a sala de autoatendimento, que seguirá disponível com terminais para uso dos clientes.

O banco também orientou que os usuários que necessitarem de atendimento presencial em caixas deverão se dirigir à agência 0005, situada no Centro de Campos. A mudança, segundo a instituição, faz parte de um movimento de modernização e adaptação às novas demandas do mercado, com maior foco em soluções digitais.

Apesar da justificativa, a decisão tem gerado insatisfação entre clientes que dependem dos serviços presenciais, principalmente em uma região que concentra grande fluxo comercial. Para muitos, a transferência do atendimento para outra unidade pode representar deslocamentos maiores e mais dificuldades no acesso aos serviços bancários.

O caso reflete uma tendência nacional de redução de estruturas físicas e ampliação do atendimento digital no setor bancário. Nos últimos anos, diversas agências foram fechadas ou tiveram serviços reduzidos, acompanhando mudanças no comportamento dos consumidores e o avanço da tecnologia.

No entanto, especialistas alertam que a digitalização dos serviços financeiros ainda enfrenta desafios relacionados à inclusão digital, especialmente em cidades do interior e entre populações mais idosas. A ausência de alternativas acessíveis pode ampliar desigualdades no acesso a serviços essenciais.

Em Campos, a mobilização do sindicato indica que o tema deve continuar em debate, com possibilidade de novas ações por parte da categoria e da sociedade civil. A expectativa é de que haja diálogo entre as partes para avaliar os impactos da medida e buscar soluções que garantam o acesso pleno aos serviços bancários para todos os públicos.