Empresas afirmam que taxação elevaria custos, afetaria cadeias de suprimentos e reduziria a competitividade da indústria norte-americana.
Grandes empresas norte-americanas, entre elas Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay, solicitaram ao governo dos Estados Unidos a exclusão de produtos brasileiros da lista de tarifas adicionais em estudo pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Os pedidos foram apresentados no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
As companhias argumentam que a aplicação das novas tarifas poderá aumentar os custos de produção, encarecer produtos para os consumidores norte-americanos e comprometer cadeias de abastecimento. Segundo as empresas, diversos insumos importados do Brasil não possuem oferta suficiente no mercado dos Estados Unidos para substituir as importações.
O USTR analisa a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além da alíquota de 12,5% já prevista para determinados itens. A justificativa do governo norte-americano é a de que o Brasil adota práticas que podem restringir ou dificultar o comércio bilateral.
Entre os pedidos apresentados, a Tesla solicitou a isenção para matérias-primas utilizadas na fabricação de veículos elétricos, baterias e robôs, alegando que parte desses insumos ainda não é produzida em quantidade suficiente nos Estados Unidos.
A Nestlé pediu a exclusão das tarifas para o café solúvel sem aromatização e o colágeno bovino, destacando que o Brasil é um dos principais fornecedores mundiais desses produtos e que a produção de café em escala comercial é inviável em território norte-americano.
Já a Coca-Cola defendeu a manutenção da isenção concedida ao suco de laranja brasileiro e solicitou tratamento semelhante para limões e derivados. A empresa argumenta que a produção de laranjas na Flórida sofreu forte redução nos últimos anos devido a doenças e pragas que atingiram os pomares.
O eBay solicitou que produtos usados e seminovos comercializados em sua plataforma também sejam excluídos da medida. Segundo a empresa, esses itens não competem diretamente com produtos novos fabricados nos Estados Unidos e a identificação da origem de mercadorias usadas representa um desafio operacional.
As audiências públicas sobre a proposta tarifária seguem em andamento e servirão de base para a decisão final do governo norte-americano sobre a adoção ou não das novas tarifas para produtos brasileiros.






