O empresário Rafael Menin, sócio majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Atlético Mineiro, anunciou nesta quinta-feira que deixará de atuar diretamente nas atividades cotidianas do clube. A decisão foi comunicada por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais oficiais do Galo, no qual ele explicou que passará a dedicar mais tempo à MRV, construtora da qual é CEO e que administra ao lado do pai, Rubens Menin.

Apesar do afastamento da rotina operacional, Menin destacou que não está deixando a gestão do Atlético-MG. Segundo ele, continuará participando de decisões estratégicas relevantes, mantendo vínculo direto com o planejamento do clube. A condução do dia a dia ficará sob responsabilidade do atual CEO, Pedro Daniel, que assumiu o cargo em dezembro de 2025 e agora ganha protagonismo na administração executiva.

A mudança ocorre em um momento considerado delicado para o Atlético Mineiro, que enfrenta oscilações dentro de campo e resultados abaixo das expectativas nos últimos anos. Desde a implementação da SAF, em 2023, o clube passou por um processo de reestruturação, acumulando conquistas importantes, mas também frustrações em competições decisivas.

Entre os resultados recentes, o Galo ficou com o vice-campeonato da Copa do Brasil e da Libertadores em 2024, além de terminar como vice na Copa Sul-Americana em 2025. No Campeonato Brasileiro, o desempenho irregular também tem sido motivo de críticas por parte da torcida, que cobra maior consistência e resultados mais expressivos.

O cenário esportivo foi agravado pela saída de Hulk, um dos principais nomes do elenco nos últimos anos. A ausência do atacante impactou diretamente o poder ofensivo da equipe e aumentou a pressão sobre a diretoria para reposições à altura.

No comunicado, Rafael Menin reconheceu o momento desafiador vivido pelo clube e afirmou que a mudança na estrutura de gestão busca tornar o Atlético-MG mais eficiente e organizado. A ideia é fortalecer o modelo de governança da SAF, com maior autonomia para a gestão executiva e foco estratégico por parte dos acionistas.

A decisão também reflete uma tendência crescente no futebol brasileiro, em que clubes administrados por SAFs adotam estruturas corporativas mais definidas, separando a gestão operacional da supervisão estratégica. Nesse modelo, executivos especializados assumem o comando do dia a dia, enquanto os investidores se concentram em diretrizes de longo prazo.

A nomeação de Pedro Daniel como responsável pela condução administrativa reforça essa diretriz. Desde que assumiu o cargo, o executivo tem atuado na reorganização interna do clube, com foco em gestão financeira, planejamento esportivo e profissionalização dos processos.

A repercussão do anúncio entre torcedores foi imediata, especialmente em um momento de cobranças por melhores resultados. Parte da torcida vê a mudança como necessária para modernizar a gestão, enquanto outra parcela demonstra preocupação com o distanciamento de um dos principais nomes do projeto da SAF.

Ciente das críticas, Menin fez questão de enfatizar que continuará atento ao desempenho do Atlético-MG e confia na capacidade do clube de superar o momento atual. Ele destacou que o compromisso com o Galo permanece, mesmo com a redução da atuação direta no cotidiano.

A expectativa é de que a nova configuração administrativa traga mais agilidade na tomada de decisões e maior clareza na divisão de responsabilidades. Internamente, a avaliação é de que a profissionalização da gestão pode contribuir para estabilidade em um cenário marcado por desafios esportivos e pressão externa.

Enquanto isso, o Atlético Mineiro segue em busca de recuperação dentro de campo, com a necessidade de retomar o protagonismo nas competições nacionais e internacionais. A reorganização fora das quatro linhas passa a ser vista como um passo importante para reequilibrar o clube e alinhar expectativas entre diretoria, elenco e torcida.

Redação EBN – Portal de Notícias

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