Os trabalhadores da Petrobras em Campos dos Goytacazes promoveram, na manhã desta sexta-feira (26), um ato público no Heliporto do Farol de São Tomé para exigir o cumprimento dos compromissos firmados com a empresa após a greve nacional de petroleiros ocorrida em dezembro de 2025. A mobilização compõe um movimento nacional coordenado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e busca pressionar a estatal a iniciar negociações sobre pontos centrais para a categoria, que seguem sem avanços concretos seis meses após o fim da paralisação.
Entre as principais reivindicações estão a abertura imediata de diálogo para reformular o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCAC), a definição clara das regras para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) — mecanismo que impacta diretamente a remuneração variável dos trabalhadores — e a busca por soluções para os déficits financeiros da Petros, fundo de pensão dos petroleiros que há anos vem aplicando descontos extraordinários sobre aposentados, pensionistas e participantes. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), a demora da Petrobras em retomar as tratativas tem gerado frustração e aumento do desgaste entre os funcionários da região.
O protesto na base do Norte Fluminense segue uma série de manifestações similares que vêm ocorrendo em unidades da Petrobras em diversas partes do Brasil, alinhadas com a campanha “Reestatiza Brasil”, defendida pela FUP e por grupos sociais. Este movimento defende a retomada dos ativos estratégicos da estatal que foram privatizados nos últimos anos, especialmente nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, embasando um debate político e econômico que envolve a soberania nacional e segurança energética do país. Para os petroleiros de Campos, a luta local se conecta a essas questões maiores, refletindo a importância da Petrobras não apenas como geradora de empregos, mas também como pilar estratégico do desenvolvimento nacional.
De acordo com Sérgio Borges, coordenador-geral do Sindipetro-NF, a expectativa da categoria é que a Petrobras apresente, após a apuração das demandas entregues pelo sindicato, um cronograma de reuniões e negociações que contemple as demandas pendentes. Em nota, a Petrobras informou que está analisando internamente as reivindicações e que deverá se posicionar oficialmente assim que concluir esse processo. A ausência de um calendário definido preocupa a categoria, que encara o cumprimento integral do acordo como condição fundamental para a manutenção da estabilidade e valorização dos trabalhadores, essenciais para o funcionamento das operações no Norte Fluminense, região que historicamente depende da indústria do petróleo para a geração de emprego e movimentação econômica local.
Redação EBN – Portal de Notícias






